quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Prefeitos do Interior do Estado tornam Pior o que já está Ruim : Hospital Walfredo Gurgel
Promotores expediram recomendações para que prefeitos não mandem pacientes à unidade sem critério
Em 2007, casos de baixa e média complexidade correspondiam a 81,7% dos atendimentos no Hospital Walfredo Gurgel. Três anos depois, o atendimento de casos simples ainda preocupa a direção do hospital. Na teoria, o Walfredo deveria atender apenas urgência e emergência clínica e cirúrgica e casos de politraumatismo. Na prática, atende todo o tipo de caso, boa parte deles vindos do interior do estado. Para coibir a transferência irregular de pacientes para o Walfredo Gurgel, promotores de Justiça de vários municípios do Rio Grande do Norte expediram recomendações nesta quarta-feira. Até agora os secretários de Saúde de pelo menos dez municípios (Nova Cruz, Montanhas, Passa e Fica, Santana do Matos, Extremoz, Coronel Ezequiel, Santa Cruz, Jaçanã, Campo Redondo e Japi) já receberam as orientações do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN).
O MP-RN recomenda que os secretários municipais de saúde articulem a rede básica de saúde e deixem de enviar pacientes para os hospitais de referência situados fora de seu território sem prévio contato com as centrais de regulação, sem os documentos necessários, sem o devido acompanhamento de equipe mínima na ambulância, sem o relatório de encaminhamento completo, legível e assinado (com o número do CRM do profissional responsável) e sem diagnóstico médico.
De acordo com o diretor administrativo do hospital, Graciliano Sena Neto, as secretarias municipais de saúde do estado deveriam consultar a Unidade de Gerenciamento de Vagas da Secretaria Estadual de Saúde Pública antes de enviarem pacientes, o que nem sempre ocorre. "Temos uma Unidade de Gerenciamento de Vagas com linha direta para os municípios e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Antes de encaminhar os pacientes, as secretarias e o Samu devem entrar em contato com a unidade de gerenciamento para saber se há vagas no Walfredo. Esse contato diminui o tempo de espera, evita que o paciente fique de porta em porta e garanteum atendimento eficaz".
De acordo com Graciliano, algumas secretarias pulam esta etapa e encaminham os pacientes sem contato prévio. O diretor não soube precisar qual o percentual de casos simples atendidos pelo Walfredo em 2010, mas explica que boa parte dos pacientes encaminhados ao HWG poderia ser atendida em postos de saúde ou hospitais regionais. Para Graciliano Sena, a prática da 'ambulancioterapia' se reflete em sobrecarga de trabalho, ocupação de leitos e falta de insumos.
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