Rio e São Paulo (AE) - O comércio do Rio Grande do Norte fechou o primeiro semestre com o maior crescimento do Nordeste no volume de vendas, avançando 9,3%, em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi alcançado no varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção. Sem considerar esses dois segmentos, a alta foi de 9,2%, e também foi a maior da região.
Os números estão na Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram divulgados ontem. A pesquisa mostra que o setor potiguar acelerou em relação a 2012, quando cresceu 5,3% no varejo ampliado e 5,6% no varejo restrito (que não considera veículos e materiais de construção). Se considerados apenas as vendas em junho, porém, houve desaceleração.
De acordo com a pesquisa, o volume de vendas registrado no mês, pelo varejo ampliado, avançou 1,9%, ante 13,7% do ano passado. No varejo restrito, houve crescimento de 4,1% em junho deste ano, contra um avanço de 12% no mesmo período de 2012.
Entraves
Além da inflação, o IBGE explica que pesam sobre as vendas a estabilização do mercado de trabalho, o maior endividamento das famílias e a menor oferta de crédito. “Concessionárias de automóveis que não pediam entrada, agora pedem, devido ao aumento de juros”, exemplifica o instituto. O IBGE lembrou ainda que governo vem retirando os incentivos ao consumo, que ajudaram a impulsionar as vendas no ano passado, como a redução do IPI sobre veículos, móveis e eletrodomésticos.
O cenário negativo ajuda a explicar o desempenho nacional, classificado como decepcionante. O comércio varejista fechou o primeiro semestre com crescimento de 3% sobre o mesmo período do ano passado, no país. Foi o pior resultado dos últimos oito anos.
Para a coordenadora de Serviços e Comércio do instituto, Aleciana Gusmão, a inflação teve um papel importante na desaceleração do ritmo de expansão das vendas no varejo. Com a alta nos preços dos alimentos, explica, o consumidor alterou seus hábitos, optando por produtos mais baratos ou, até mesmo, uma redução no volume de compras.
“Estamos observando alta nos preços dos alimentos desde 2012, mas, antes, a renda e o emprego aumentavam em um ritmo superior ao deste ano. Agora, as famílias estão incorporando esse aumento de preços e se adaptando a um novo patamar de consumo”, disse.
O impacto fica claro quando se observa o comportamento das vendas no segmento de hipermercado e supermercado, que amargou queda de 0,8% em junho frente a junho do ano passado. Com esse resultado, o setor perdeu a liderança na composição do índice, caindo de primeiro lugar para a lanterninha.
A economista-chefe da consultoria Rosenberg & Associados, Thaís Zara, também chamou a atenção para o faturamento dos supermercados que motivou o resultado decepcionante. A boa notícia, de acordo com ela, é que em julho as vendas do comércio deverão se beneficiar da inflação baixa do mês.

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